Sexta-feira, Julho 29, 2005

Lula cai; Heloísa oscila entre 6% e 10% das intençõesde voto

A última pesquisa DATAFOLHA demonstra que a crise política resultante das denúncias de corrupção nogoverno atinge a popularidade de Lula e revela ocrescimento da candidatura de Heloísa Helena,pré-candidata a presidente pelo P-SOL. Lula continua favorito, mas perde vantagem emsimulações de segundo turnoSubstituindo o presidente, Palocci obtém entre 4% e 6%das intenções de votoApesar da crise política que envolve seu governo e quecomeça a afetar sua popularidade, Lula continua como omais forte nome para a eleição presidencial de 2006. Opetista lidera nos três cenários testados peloDatafolha, que se diferenciam por alternar nomes doPSDB e, em relação à pesquisa anterior, realizada em16 de junho, não foram verificadas alterações além damargem de erro, de dois pontos percentuais, para maisou para menos. Em nenhum dos cenários investigadosLula estaria eleito já no primeiro turno. A pesquisatambém mostra diminuição da vantagem de Lula emrelação a três de seus possíveis adversários em umeventual segundo turno.O prefeito de São Paulo, o peessedebista José Serra, éo provável adversário que teria mais chances contraLula. Se a eleição fosse hoje, 34% dos brasileirosvotariam em Lula e 25% em Serra. Em relação aolevantamento anterior, a intenção de voto em Lulaoscilou positivamente (era de 33%), enquanto a taxados que votariam em Serra oscilou para baixo (era de27%). Bem atrás na disputa, vêm Anthony Garotinho(PMDB), com 9%, Heloisa Helena (P-SOL), com 6%, CesarMaia (PFL), com 4%, e Roberto Freire (PPS), com 2% dasintenções de voto.Contra Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso, avantagem de Lula é maior. No cenário em que o nome dogovernador do estado de São Paulo representa o PSDB,Lula tem 36% das intenções de voto (percentualidêntico ao verificado na pesquisa anterior). GeraldoAlckmin obtém 16% das preferências, seguido de pertopor Anthony Garotinho, com 12%. Fernando HenriqueCardoso atinge 15%, à frente de Garotinho, que ficacom 10% nesse cenário.Também foram testados, nessa pesquisa, cenários com asubstituição de Lula pelo ministro da Fazenda, AntonioPalocci, hipótese que vem sendo aventada nos meiospolíticos, desde que o escândalo do "mensalão" ganhouforça.Palocci não se mostra, por ora, um nome tãocompetitivo quanto Lula, ficando longe da liderança, etendo como adversários mais próximos Heloisa Helena,Cesar Maia e Roberto Freire. Ele obtém 4% dasintenções de voto no cenário com Geraldo Alckmin, 5%na disputa com José Serra e 6% quando o candidato doPSDB é Fernando Henrique Cardoso.Com a ausência de Lula, a disputa pela Presidência sepolariza entre o PSDB e o peemedebista AnthonyGarotinho. A pré-candidata do P-SOL, Heloisa Helena,chega a 10% no cenário com Fernando Henrique Cardoso.A parcela de eleitores que optariam por anular o votoou votar em branco supera os 20% nos três cenáriostestados, e atinge 27% na hipótese com oex-presidente. José Serra é, mais uma vez, o peessedebista com maiorpotencial: o prefeito de São Paulo teria, hoje, 28%dos votos, o dobro do que obteria Anthony Garotinho(14%). Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardosoempatam com o possível candidato do PMDB, em razão damargem de erro da pesquisa, de dois pontospercentuais, para mais ou para menos. No cenário comAlckmin, 20% votariam no governador paulista e 17% emGarotinho. No cenário com Fernando Henrique, oex-presidente obtém 17%, e o peemedebista fica com 16%das intenções de voto.A análise dos resultados levando-se em consideração opartido de preferência dos entrevistados mostra quePalocci não provoca grande entusiasmo nem mesmo nossimpatizantes de seu partido, o PT. Os petistas, emsua maior parte, se distribuem entre os outroscandidatos, ou preferem votar nulo ou anular o voto.No cenário contra Serra, por exemplo, 18% dossimpatizantes do PT votariam no peessedebista, ante12% que optariam pelo candidato de seu partido.As simulações de segundo turno mostram diminuição davantagem de Lula em relação a três de seus possíveisadversários. No caso de José Serra, chega a ocorrer umempate entre os dois, no limite da margem de erro dapesquisa.Se o segundo turno da eleição presidencial fosse hoje,e a disputa fosse entre Lula e Serra, 45% votariam nopetista e 41% no peessedebista. Como a margem de erroé de dois pontos percentuais, para mais ou para menos,Serra pode ter, no máximo, 43%, o percentual mínimo deLula. Assim, ocorre um empate, mas a probabilidade deLula estar à frente é maior. A pesquisa de junhomostrava Lula, com 46%, à frente de Serra, com 40%.Contra Geraldo Alckmin, a vantagem de Lula em umhipotético segundo turno, caiu de 26 (54% a 28%) para16 pontos percentuais (49% a 33%).Quando o adversário é Fernando Henrique Cardoso,verifica-se estabilidade: Lula venceria, hoje, com52%, deixando seu antecessor em segundo lugar, com 29%dos votos. Em junho esses percentuais eram,respectivamente, 53% e 29%.A diferença entre Lula e Anthony Garotinho em umeventual segundo turno também se estreitou: era de 30pontos percentuais em junho (54% a 24%) e é hoje de 24pontos (51% a 27%).Assim como ocorre nas simulações em relação aoprimeiro turno, Antonio Palocci não se mostracompetitivo em um hipotético segundo turno. Em quatrohipóteses testadas, o petista obtém taxas de intençãode voto inferiores às de votos brancos e nulos.José Serra teria, hoje, 54% dos votos, em uma disputacontra o atual ministro da Fazenda, que ficaria com18%. Também derrotariam Palocci, hoje, o governadorGeraldo Alckmin (41% a 20%), o ex-presidente FernandoHenrique Cardoso (38% a 26%) e Anthony Garotinho (41%a 23%).A intenção de voto espontânea em Lula, ou seja, aquelana qual o entrevistado diz em quem pretende votar em2006, sem que veja os cartões circulares com os nomesdos possíveis candidatos, é de 22%. O petista éseguido de longe por Serra (4%), Fernando HenriqueCardoso, Geraldo Alckmin (2%, cada) e AnthonyGarotinho, (1%). Pretendem votar em branco ou anular ovoto 8%. Não sabem dizer, de maneira espontânea, emquem têm a intenção de votar, 55%.A pesquisa mostra ainda que José Serra, no momento onome mais forte para enfrentar Lula na eleiçãopresidencial de 2006, têm uma taxa de rejeição queequivale à metade da obtida por Lula: hoje, 12% nãovotariam em Serra para presidente de jeito nenhum,ante 25% que descartam totalmente o nome do atualpresidente como candidato em quem poderiam votar em2006. Geraldo Alckmin é o possível candidato com menortaxa de rejeição: 9%. Cerca de um terço (29%) nãovotaria de forma alguma em Fernando Henrique Cardoso.Não votariam de jeito nenhum em Anthony Garotinho 24%e em Cesar Maia 21%. Completam a lista Antonio Palocci(16% de rejeição), Roberto Mangabeira Unger, RobertoFreire (14%, cada) e Heloisa Helena (13%). Votariam emqualquer um desses possíveis candidatos 8%, e nãovotariam em nenhum deles, 5%.Clique aqui para ler a reportagem na íntegra, com osgráficos e tabelas das pesquisas.
Fonte: Datafolha, 23 de julho de 2005.

Lula corre risco de impeachment para 42 %, diz Ibope


BRASÍLIA (Reuters) - A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou estável em julho, mostrou uma pesquisa do Ibope nesta terça-feira. Mas a onda de denúncias de corrupção no governo e no PT, partido do presidente, pode colocar em risco o mandato de Lula para 42 por cento dos entrevistados.
Segundo a sondagem divulgada pelo Jornal Nacional, da TV Globo, 48 por cento dos entrevistados disseram que Lula não corre o risco de perder o mandato. Outros 10 por cento não souberam ou não quiseram responder. A pesquisa tem uma margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
A avaliação ótima e boa do governo Lula passou de 35 por cento em junho para 36 por cento neste mês, enquanto a regular oscilou para baixo, de 41 para 40 por cento, e a ruim/péssima variou para cima, de 22 para 24 por cento. A pesquisa de junho já foi realizada depois das primeiras denúncias sobre o suposto "mensalão".
A taxa de aprovação do governo também não teve grandes alterações, passando de 55 por cento para 54 por cento que aprovam o governo, e repetindo os 38 por cento que o desaprovavam no mês passado.
Já a confiança no presidente apresentou uma piora. Em junho eram 56 por cento os que confiavam em Lula, agora são 53 por cento. Os que não confiavam somavam 38 por cento e agora são 42 por cento. Na comparação com a sondagem de março, a piora é bem mais acentuada. Naquele mês, 60 por cento confiavam no presidente e 34 por cento não confiavam.
Para 14 por cento dos entrevistados, o Lula está totalmente envolvido nas denúncias, mas ainda assim 50 por cento consideram que a imagem do presidente não mudou. Para 14 por cento ela piorou um pouco e para 15 por cento piorou muito. Na outra ponta, 5 por cento acham que a imagem melhorou muito e 12 por cento que ela melhorou um pouco.
PT, DIRCEU E JEFFERSON
Ao serem perguntados sobre qual entidade tem recebido mais denúncias de corrupção nas últimas semanas, 38 por cento apontaram para o PT, seguido pelos Correios (30 por cento), Câmara dos Deputados (14 por cento) e governo federal (4 por cento).
A imagem do PT também sofreu um forte desgaste. Para 18 por cento ela piorou um pouco e para 23 por cento ela piorou muito.
Ao serem perguntados sobre o envolvimento dos citados até agora nas denúncias de corrupção, 46 por cento consideraram que o ex-ministro José Dirceu está totalmente envolvido. Acima dele aparecem o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, com 56 por cento, e o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor da denúncia do "mensalão" e acusado de corrupção nos Correios, com 65 por cento.
O mesmo percentual se repete nas respostas positivas à pergunta se Jefferson deveria ter seu mandato cassado.
Foram ouvidas 2.002 pessoas, em 143 municípios, entre os dias 14 e 18 deste mês.
(Por Alexandre Caverni)

Quinta-feira, Julho 28, 2005

Atirar para matar e perguntar depois



*Alailson Muniz
Morto fala? Pergunta imbecil, claro que não! Então, porque mataram Jean para somente depois perguntar se ele era terrorista? Foi essa tática usada pela polícia inglesa que matou o brasileiro Jean Charles de Menezes em Londres. Só que a polícia esqueceu que mortos não falam. Não dá para perguntar para um cadáver se ele é terrorista.
Jean foi vítima de uma política belico-militar que luta contra um inimigo invisível que ela mesmo criou, o terrorismo. Esse Estado-polícia que se tornou a Inglaterra tem seu principal embrião no apoio que foi dado a invasão do Iraque. Mas quanto vale a vida de um nacional de país subdesenvolvido? Vale um pedido de desculpas e nada mais. Foi o que o chefe de policia inglesa e o primeiro ministro Tony Blair deram ao embaixador brasileiro Celso Amorim. Disseram ainda também, que se caso acontecesse de novo diante das mesmas circunstância, a polícia o mataria de novo.
Jean morreu em nome da Paz? Sua vida foi doada à campanha de combate ao terrorismo idealizada por Bush? Certamente se fosse um nacional de qualquer país desenvolvido, como da própria Inglaterra, a história seria diferente e não acabaria com um simples pedido de desculpas. Pois, nós nos distinguimos deles por um adjetivo muito forte, o patriotismo. Tão forte entre eles que chegam a esbarrar na xenofobia.
Historicamente, sempre fomos dominados por uma elite subserviente ao prazeres das fortunas internacionais em troca de verdadeiras migalhas. A nossa Forças Armadas, que era para ser a instituição mais patriota do país, massacrou sua própria gente ordenada pela elite estrangeira na época da Ditadura Militar. Um exemplo recente disso é a entrada de uma multinacional em nossa Amazônia, prometendo um investimento que diz ser de um bilhão de reais e na verdade não passa de poucos mais de trezentos milhões gastos na região. Sabem quanto ela irá lucrar, mais ou menos quarenta bilhões de reais. Em qualquer país capitalista civilizado não se permitiria um lucro tão grande em troca de tão pouco investimento. Essa mesma elite que lambe os beiços diante desse fato, não tem se quer coragem, dignidade e caráter para questionar a cruel morte de um brasileiro trabalhador que foi expurgado pelo sistema e obrigado a mendigar nos ideais pregados pelas novelas das oito.
Jean foi cruelmente assassinado com cinco tiros na cabeça, todos a queima roupa e ainda pelas costas. Existe morte mais covarde e indefesa do que essa? Sim, a morte do direito de integração entre os povos, a morte dos direitos humanos, a morte do patriotismo, do orgulho de ser brasileiro.
Tenho a mais esplêndida certeza de que esse fato não vai ser explorado pela mídia em sua tão sublime importância que é para o povo brasileiro. Ele tem um significado especial que os intelectuais orgânicos mídiacos certamente não atentaram, pois também imploram pelas migalhas das elites internacionais. São os mesmos responsáveis pelo doutrinamento econômico capitalista do povo, alicerçado no medo de termos uma nação independe ou de morremos por nossa pátria e não por uma guerra que não é nossa.
A morte de Jean não acabará com o terrorismo, assim como as milhares de mortes que estão acontecendo nesse momento em nome da Paz. A mesma Paz feita com guerra que é usada para justificar o assassinato de Jean e outros milhares de Jeans que viram a existir. E eles é quem são os civilizados.
* Estudante do Curso de Direito da UFPA e repórter do JSBA

Quinta-feira, Julho 21, 2005

O fracasso que levará ao medo novamente

Por Alailson Muniz

Quem cria cobras morre picado por elas. Foi isso que o PT fez ao fazer alianças com partidos mercenários que só querem continuar a mamar nas tetas do erário público.
Roberto Jeffersson foi o laranja que a oposição política achou para mostrar a carta que tinha nas mangas para derrubar a reeleição de Lula. Ele já havia pedido dinheiro aos Tucanos para não denunciar o esquema de compra de votos de deputados e senadores para votarem na emenda constitucional que garantiu a reeleição a FHC. Gente desse tipo não dá para se aliar.
Garanto que não foi ingenuidade do PT ter aderido ao esquema de "caixa dois" com desvio de dinheiro de cofres de estatais para financiamento de campanhas eleitorais de seus futuros candidatos. Ficou bem claro nos depoimentos e entrevistas de Delúbio, Valério, Silvio Pereira, Roberto Jeffersson e mesmo Lula, que todos os partidos fazem esse tipo de maracutaia para financiar suas chapas nas eleições. Pouco, a grande imprensa atentou para esse aspecto. O que os envolvidos tentaram dizer é que a corrupção existe e sempre existiu e será muito difícil de extingui-la.
Mas o PT, tendo a história que tem, e pela conjuntura em meio a qual foi posto no governo, podia ter tomado outro rumo. Mas não quis. Quais seriam os motivos? O problema é que a elite petista que tomou conta do governo é a mesma que há anos está a frente da direção do partido. Eles tentaram usar a mesma tática, comandados por José Dirceu, para se perpetuar no governo. Dirceu acha que teria tempo suficiente para se aparelhar fazendo algumas concessões aos partidos de oposição. Tentou usar a tática stalinista, mas Stalin era muito mais inteligente. Ele destruía todos que pudessem prejudicar seu plano. Dirceu tentou neutralizá-los para ganhar tempo. Não usou o respaldo do partido para adquirir legitimidade do povo para respaldar seus atos, deixando bem claro que não é um socialista convicto. O poder subiu a sua cabeça.
Agora, vão perder a direção nacional do partido para as correntes de esquerda, a menos que muito dinheiro seja despejado, o que seria outro erro, pois será descoberto adiante. Perderá a liderança do PT e o governo em 2006. Mas do que isso, Dirceu frustou uma militância de esquerda, traumatizando-a, deixando-a em coma por um bom tempo e produziu toneladas e toneladas de munição para os partidos neoliberais que governam para a elite internacional, atirarem a hora que quiserem contra qualquer partido de esquerda que queira voltar a ser a alternativa no Brasil. Eles destruíram em menos de quatro anos, vinte e cinco anos de trabalhos, de sonhos e de esperanças. A mesma esperança que colocou Lula no poder. A mesma esperança que venceu o medo.
O medo agora é do que virá acontecer nos dais seguintes após esse imenso fracasso.

Terça-feira, Julho 19, 2005

Das Oligarquias ao mensalão

Professor e Filósofo Roberto Romano identifica a origem da crise política e projeta suas consequências.
Adapatado do Jornal da Unicamp, edição de julho.

O olhar sobre o passado, porém, está longe de ser um endosso ao governo Lula, que foi eleito ancorado em promessas de mudança. Entre aquelas não-cumpridas e exemplos de inércia destacam-se: política econômica equivocada, falta de projetos na área social, o esfacelamento da base política e as alianças suspeitas – e conseqüentemente as sucessivas trombadas com o chamado "patrimônio ético" do Partido dos Trabalhadores. Para ele, o estrago na imagem de Lula e do PT é fato consumado. E o que resta? Pouco tempo para torná-lo reversível.
Jornal da Unicamp - Apesar da crise institucional instalada, o governo e as instâncias reguladoras da economia do Terceiro Mundo seguem afirmando que a economia brasileira vai bem. Até que ponto essas duas variáveis (a política e a econômica) podem se desenrolar em separado? A sociedade brasileira amadureceu a ponto de separá-las?
Roberto Romano – Tratando-se de ordem institucional, cedo ou tarde a economia recebe os impactos das urgências políticas. Nenhuma sociedade "amadurece" ao ponto de separar o político e o econômico. Se fraturas ocorrem num ou noutro desses aspectos que integram a mesma vida social, oscila o sistema no seu todo, evidenciam-se descontinuidades etc. País instável politicamente e onde as regras jurídicas, fiscais, etc. deixam de ostentar ampla legitimidade, dificilmente será próspero em longo termo. Se a crise política torna-se aguda, os capitais especulativos temem e buscam outros países (a famosa "volatilidade") e os capitais dirigidos à integração mais profunda na economia não se apresentam, porque seus controladores percebem que os investimentos correrão riscos devidos à insegurança das regras e sobre quem asseguraria a aplicação das mesmas regras. Países avançados em termos econômicos e políticos, como os EUA e os que integram a oscilante União Européia, mostram que os fatos de uma ordem repercutem na outra, e vice-versa. As sucessivas administrações norte-americanas vivem o desafio perene de harmonizar o desenvolvimento econômico – sobretudo no relativo aos resultantes emprego ou desemprego – e as agendas políticas. Elementos econômicos ajudam a entravar agendas políticas. O resultado negativo do referendo francês e holandês, para a aprovação da Carta Européia, mostra a interdependência dos segmentos políticos e econômicos. No Brasil não é diferente e, na verdade, é pior: dado que a corrupção manifesta um desequilíbrio na estrutura federativa e nas relações permanentes entre os poderes, a política econômica será refém das crises políticas que, muito rápido, seguem a via do colapso da autoridade pública.

AS rompe com PT e entra no PSOL


No último sábado 16, a Corrente Alternativa Socialista (AS), decidiu, em uma plenária com 87 militantes, desligar-se do Partido dos Trabalhadores e ingressar no PSOL. A assembléia aconteceu em Via-mão, cidade da Grande Porto Alegre, onde a Alternativa Socialista elegeu, em 2004, o vereador Geraldinho. Também pertence à Corrente o ex-secretário de obras do município na gestão do PT, Roberto Paladini. Na quinta 21, o PSOL realiza, no Plenarinho da Assembléia Legislativa-RS, a Plenária de Mobilização: "Fora todos os corruptos" e faz também uma recepção aos companheiros da Corrente Alternativa Socialista.
Alguns membros do Partido Socialismo e Liberdade ficaram indignados com a adesão da AS. eles dizem que o Psol está se tornando uma porto para aqueles que somente agora começaram a enxergar a lógica.

Sobre Deputados ingleses e brasileiros

OS DEPUTADOS INGLESES:
1 . Não têm lugar certo onde sentar-se na Câmara dos Comuns;
2 . Não têm escritórios, não têm secretários nem automóveis,
3 . Não têm residência (pagam pela sua em Londres ou nas províncias);
4 . Não têm passagem de avião gratuita, salvo quando a serviço do próprio Parlamento.
Tudo isso tem de pagar de seu bolso. E seu salário equipara-se ao de um Chefe de Divisão de qualquer repartição. Em suma, são SERVIDORES DO POVO e não PARASITAS do mesmo.

DEPUTADOS NO BRASIL:
1 . Salário: R$12 mil;
2 . Auxílio-moradia: R$3 mil;
3 . Transporte:4 passagens aéreas de ida e volta a Brasília por mês;
4 . 13º e 14º salários: no fim e no inicio de cada ano legislativo.
5 . Verba para despesas comprovadas: R$7 mil;
6 . Verba para assessores: R$3,8 mil;
7 . Férias de 90 dias ao ano e folga remunerada de 30 dias,
8 . Mais R$ 35 mil por mês como verba de gabinete.
9 . Direito a contratar 20 servidores para seu gabinete.
10. Engraxate, barbeiro e cabeleireiro grátis;
11. E ainda recebem R$ 25,4 mil para trabalhar durante o recesso
12. E ainda "trabalham" em média 3 dias na semana, principalmente nos "esforços concentrados" das quartas-feiras
13. E ganham em dobro, quando convocados pelo executivo durante o recesso parlamentar.
O dinheiro saiu dos cofres públicos, ou seja, do bolso do povo.
Para que o mundo veja!!!

Segunda-feira, Julho 18, 2005

Individualismo: a empreitada marketeira do Governo


O governo está inculcando na mente dos brasileiros, por meio de uma "campanha publicitária de auto-estima", a idéia de que o desenvolvimento social e o crescimento econômico do país dependem exclusivamente da colaboração de cada um por meio de seu esforço pessoal. Independente do arrocho que está sendo efetuado nos investimentos sociais do país. Dessa forma, transferindo para o povo brasileiro toda a responsabilidade de recuperar o país de uma futura crise econômico-social que está sendo alicerçada. Essa manobra também servirá de suporte para a justificativa do fracasso da efetivação das mudanças que não foram prometidas em campanha, mas que o povo, em sua ingenuidade, chegou a sonhar que elas aconteceriam um dia.
Essa campanha prega um dos maiores valores da burguesia neoliberal, o individualismo. Ele incentiva a fragmentação da classe trabalhadora e todos os tipos de coletividades organizadas. Traz, ainda, como conseqüência cultural, a absorção de valores típicos de moradores de países desenvolvidos. A fé e a vontade de vencer devem ser solitárias. Elas, juntamente com a felicidade só podem ser alcançadas através do trabalho exaustivo e incansável. Essa imagem está sendo pintada em nossa frente a toda hora.
Novelas, reportagens, programas diários e de fins de semanas e até comerciais a todo minuto, retratam histórias de pessoas que são o "modelo padrão" do cidadão que o governo quer. A nordestina que venceu na vida durante a Ditadura Militar foi o maior exemplo. Seria como o operário de Charles Chaplin. Alienado pelo trabalho, ele não consegue enxergar outras coisas ao seu redor. Assim o governo fica livre para implementar as reformas que quiser. O desemprego alto, o crescimento da economia apenas para pagar a dívida externa, o corte nos investimentos sociais, os crescimentos da fome e da miséria passariam despercebidos pela vontade de trabalhar para vencer na vida. É isso que a equipe de marketing do governo está fazendo.
Lula se jogará na próxima campanha com a imagem de quem mudou o Brasil, mesmo continuando a linha "FHcista" melhor do que o próprio FHC. E isso quem disse foram os donos de bancos e o FMI. Ele estará no palanque em 2006 e vai tentar convencer o povo de que trabalhou mais do que Duda Mendonça. Com certeza conseguirá. Por que Lula "é brasileiro e não desiste nunca".