Domingo, Setembro 24, 2006

Heloísa Helena encerra campanha no Nordeste

SÍLVIA FREIREda
Agência Folha, em Pão de Açúcar (AL)
A candidata à Presidência da República Heloísa Helena (PSOL-AL) encerrou hoje sua campanha no Nordeste do país afirmando que a região "pode tudo" e que não é possível que o Brasil seja governado por quem não respeita o Nordeste.O último compromisso de campanha dela na região antes do primeiro turno da eleição foi uma caminhada na margem do rio São Francisco, no município de Pão de Açúcar (AL), cidade onde nasceu, no sertão alagoano."Não é possível que o Brasil seja condenado a ser sempre conduzido por aqueles que não respeitam o Nordeste brasileiro.
O Nordeste pode tudo, pode ser um grande centro de geração de emprego e renda pelo turismo, tem os nossos rios, as nossas praias.""Tem um gigantesco potencial de áreas agricultáveis, tudo que aqui se planta pode dar. Tem tecnologia para irrigação a baixo custo, com pouca água e grande impacto social."Na caminhada, Heloísa Helena ganhou beijos, abraços e até benções de banhistas que passavam o domingo na praia do rio, próximo ao centro da cidade. Em seu discurso, feito em cima de um caminhão, ela disse que sua candidatura foi a luta do "tostão contra o mensalão" e que em alguns momentos "parecia que a saúde não ia agüentar".Ela voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, que, segundo ela, se jogou "nos braços dos banqueiros, do capital financeiro, dos mensaleiros e dos sanguessugas" e cobrou mais uma vez a participação dele nos debates.
Sobre a crise do dossiê contra os tucanos, a candidata disse que o governo já sabe de onde vieram os R$ 1,75 milhão (em notas de reais e dólares) apreendidos pela Polícia Federal para pagar pelos documentos e cobrou a divulgação das informações."É fundamental que o governo disponibilize as informações para a sociedade que ele já sabe. Já sabem quem sacou, quem provisionou a conta que eles sacaram. Não tenho dúvida quanto a isso", afirmou ela."Qualquer movimentação atípica, o gerente do banco comunica automaticamente, compulsoriamente ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), à Polícia Federal, ao Ministério Público e ao Banco Central", acrescentou.
Para a candidata, o governo foi capaz de identificar rapidamente uma movimentação atípica de R$ 20 mil do caseiro Francenildo Costa, que revelou que o ex-ministro Antonio Palocci visitava uma casa mantida por lobistas em Brasília."Quem entrou com os dólares? Qual o avião que entrou com isso? Ficam todos sob suspeita, qualquer jatinho ou aerolula. Nenhum de nós, os 'normais', conseguimos entrar com dólar ou uma maleta de reais", disse a candidata.

Terça-feira, Setembro 19, 2006

Novata ameaça reeleição de Sarney no Amapá

Estreante na corrida eleitoral, a candidata do PSB ao Senado pelo Amapá, Cristina Almeida, ameaça a reeleição do Coronel José Sarney (PMDB- MA). Segundo pesquisa do instituto Ibope, o peemedebista aparece sete pontos a frente da adversária, com 47% dos votos, contra 40%.O levantamento foi divulgado nessa segunda-feira (18) pela TV do Amazonas.
Em relação a última sondagem, Cristina cresceu 11 pontos. Antes, o senador tinha 50% dos votos, contra 29% da candidata do PSB. Sarney aparece com o maior índice de rejeição: 37% do eleitorado, 13 pontos a mais que sua concorrente.Os outros candidatos somaram um ponto na sondagem, realizada entre os dias 12 e 14 deste mês. Votos brancos e nulos totalizaram 4% e indeciso, 6%. O Ibope ouviu 812 eleitores em nove municípios do Amapá. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral do estado.

Segunda-feira, Setembro 18, 2006

NOTA DE REPÚDIO

O Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor-PA) repudia veementemente a decisão da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Pará que, nesta quinta-feira (14/09), manteve a condenação ao jornalista Lúcio Flávio Pinto, para pagamento de indenização no valor de R$ 8 mil, mais acréscimos, ao empresário Cecílio do Rego Almeida, que processou Lúcio Flávio por dano moral devido à matéria publicada em seu Jornal Pessoal, em 2000. O artigo comentava reportagem de capa da revista Veja de uma semana antes, que apontara o dono da Construtora C. R. Almeida como “o maior grileiro do mundo”. Assim como a desembargadora revisora do processo, Sônia Parente, o Sinjor-PA defende que o jornalista estava exercendo seus direitos à liberdade de expressão e de imprensa, garantidos pela Constituição Federal. É lamentável, contudo, que a revisora tenha sido voto vencido no julgamento onde as desembargadoras Luzia Nadja Nascimento e Maria Rita Xavier, relatora do recurso, atropelaram direitos basilares da democracia, condenando quem denuncia práticas vergonhosamente comuns no Pará: a apropriação ilícita de terras e o trabalho escravo. A decisão das desembargadoras ratifica a sentença condenatória do juiz Amílcar Guimarães, que, no ano passado, exercendo interinamente a 4ª Vara Cível do fórum de Belém, acolheu a ação de indenização movida pelo empresário contra Lúcio Flávio. É ainda mais intolerável e inadmissível que o julgamento no Pará não tenha seguido a mesma linha decisória da Justiça de São Paulo, onde outros alvos de Cecílio do Rego Almeida - a revista Veja, um repórter, um procurador público do Estado do Pará e um vereador de Altamira – foram absolvidos das mesmas acusações feitas contra Lúcio Flávio. A decisão da 3ª Câmara Cível do TJE-PA condenando Lúcio Flávio só reforça a impunidade de quem depreda e saqueia a Amazônia e se configura em um atentado à liberdade de imprensa e ao direito da sociedade de ter acesso à informação de qualidade. Não é demais lembrar que, em março deste ano, Cecílio do Rego Almeida foi declarado persona non grata para o Estado do Pará, por decisão unânime da Assembléia Legislativa do Estado.
O Sinjor-PA se solidariza a Lúcio Flávio Pinto pela seriedade com que desenvolve seu trabalho jornalístico, e ratifica sua defesa intransigente à liberdade de imprensa, apelando para que a Justiça, em Brasília, ao apreciar o recurso a ser apresentado pelo jornalista, faça valer este direito garantido pela Constituição Brasileira.

Terça-feira, Setembro 12, 2006

Racistas controlam a revista Veja

Altamiro Borges *
Adital - Na sua penúltima edição, a revista Veja estampou na capa a foto de uma mulher negra, título de eleitor na mão e a manchete espalhafatosa: "Ela pode decidir a eleição". A chamada de capa ainda trazia a maldosa descrição: "Nordestina, 27 anos, educação média, R$ 450 por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro".
O intuito evidente da capa e da reportagem interna era o de estimular o preconceito de classe contra o presidente Lula, franco favorito nas pesquisas eleitorais entre a população mais carente. A edição não destoava de tantas outras, nas quais esta publicação da Editora Abril assume abertamente o papel de palanque da oposição de direita e destina veneno de nítido conteúdo fascistóide. Agora, o escritor Renato Pompeu dá novos elementos que apimentam a discussão sobre a linha editorial racista desta revista.
No artigo "A Abril e o apartheid", publicado na revista Caros Amigos que está nas bancas, ele informa que "o grupo de mídia sul-africano Naspers adquiriu 30% do capital acionário da Editora Abril, que detém 54% do mercado brasileiro de revistas e 58% das rendas de anúncios em revistas no país. Para tanto, pagou 422 milhões de dólares. A notícia é de maio e foi publicada nos principais órgãos da mídia grande do Brasil. Mas não foi dada a devida atenção ao fato de a Naspers ter sido um dos esteios do regime do apartheid na África do Sul e ter prosperado com a segregação racial".
Líderes da segregação racial -


A Naspers tem sua origem em 1915, quando surgiu com o nome de Nasionale Pers, um grupo nacionalista africâner (a denominação dos sul-africanos de origem holandesa, também conhecidos como bôeres, que foram derrotados pela Grã-Bretanha na guerra que terminou em 1902). Este agrupamento lançou o jornal diário Die Burger, que até hoje é líder de mercado no país. Durante décadas, o grupo, que passou a editar revistas e livros, esteve estreitamente vinculado ao Partido Nacional, a organização partidária das elites africâneres que legalizou o detestável e criminoso regime do apartheid no pós-Segunda Guerra Mundial.

Como relata Renato Pompeu, "dos quadros da Naspers saíram os três primeiros-ministros do apartheid". O primeiro diretor do Die Burger foi D.F. Malan, que comandou o governo da África do Sul de 1948 a 1954 e lançou as bases legais da segregação racial. Já os líderes do Partido Nacional H.F. Verwoerd e P.W. Botha participaram do Conselho de Administração da Naspers. Verwoerd, que quando estudante na Alemanha teve ligações com os nazistas, consolidou o regime do apartheid, a que deu feição definitiva em seu governo, iniciado em 1958. Durante a sua gestão ocorreram o massacre de Sharpeville, a proibição do Congresso Nacional Africano (que hoje governa o país) e a prolongada condenação de Nelson Mandela.

Já P. Botha sustentou o apartheid como primeiro-ministro, de 1978 a 1984, e depois como presidente, até 1989. "Ele argumentava, junto ao governo dos Estados Unidos, que o apartheid era necessário para conter o comunismo em Angola e Moçambique, países vizinhos. Reforçou militarmente a África do Sul e pediu a colaboração de Israel para desenvolver a bomba atômica. Ordenou a intervenção de forças especiais sul-africanas na Namíbia e em Angola". Durante seu longo governo, a resistência negra na África do Sul, que cresceu, adquiriu maior radicalidade e conquistou a solidariedade internacional, foi cruelmente reprimida - como tão bem retrata o filme "Um grito de liberdade", do diretor inglês Richard Attenborough (1987).

Segunda-feira, Setembro 11, 2006

o aviso

Passaram-se os anos, mas o mundo inteiro ainda tem na mente as imagens dos aviões chocando-se contra as Torre gêmeas do World Trade Center.
Eles avaisaram!

Palocci será denunciado à Justiça por 7 crimes

Num período de dez dias, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, candidato a deputado federal pelo PT, será denunciado na Justiça por sete crimes: formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, peculato, quebra de sigilo bancário, quebra de sigilo funcional e prevaricação. As denúncias, da PF e da Polícia Civil, são por envolvimento na quebra dos sigilos do caseiro Francenildo dos Santos Costa e nas fraudes nos contratos de lixo em suas administrações na prefeitura de Ribeirão Preto. "O inquérito demonstra a formação de uma verdadeira organização criminosa em caráter estável e permanente que atuou em Ribeirão Preto", diz o delegado Benedito Valencise sobre "a máfia do lixo".


Foram identificadas adulteração nas planilhas de varrição para superfaturar os pagamentos. Para executar o que estava previsto, um dos parques de Ribeirão teria de ser varrido 12 vezes num único dia. O advogado do ex-ministro, José Roberto Batochio, diz que "sequer há indícios" nas investigações.

Emprego

Comandante do massacre do Carandiru é morto em SP

O coronel da reserva da Polícia Militar e deputado estadual Ubiratan Guimarães (PTB), que comandou a invasão que resultou no massacre do Carandiru, em 1992, foi encontrado morto em sua casa. O corpo foi achado por volta das 22h30 de ontem pelo chefe de gabinete de Ubiratan, Eduardo Anastasi, e por outro coronel que foram até a casa dele, na rua José Maria Lisboa, nos Jardins (zona oeste de São Paulo), após estranharem a falta de contato do coronel, que tinha 63 anos.A vítima estava enrolada em uma toalha e tinha uma perfuração de bala na região do abdômen.
O corpo apresentava rigidez cadavérica, o que indica que a morte deve ter ocorrido no dia anterior. A polícia acredita que o crime possa ter sido passional. No local da ocorrência, não havia sinais de luta corporal. A última pessoa a ser vista com o coronel foi sua namorada Carla que, segundo o porteiro, deixou o apartamento de Ubiratan Guimarães na manhã do domingo. De acordo com o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, que assumiu as investigações, Carla deverá prestar depoimento hoje.Ubiratan era candidato à reeleição. Em 1992, Ubiratan Guimarães comandou a ação que terminou com um saldo de 111 mortos na penitenciária do Carandiru em São Paulo.
Em 2001, ele foi condenado a 632 anos de prisão pela morte dos detentos. Em 15 de fevereiro deste ano, conseguiu absolvição no Órgão Especial do Tribunal de Justiça, alegando que houve erro no voto dos jurados. O ex-diretor da Casa de Detenção José Ismael Pedrosa, 70, foi assassinado em outubro de 2005.O corpo do deputado estadual Ubiratan Guimarães será velado hoje, na Assembléia Legislativa ou no Centro de Cavalaria da Polícia Militar.

Sábado, Setembro 09, 2006

FHC também teria praticado caixa 2 em campanhas

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que atacou duramente o PT na "Carta aos Eleitores do PSDB" publicada quinta-feira no site do partido e fez um "mea-culpa" tucano sobre as denúncias de caixa dois envonvendo o senador Eduardo Azeredo, também teria adotada a prática na campanha de reeleição, em 1998. O jornal Folha de S.Paulo publicou reportagem, em novembro de 2000, na qual afirma que o comitê eleitoral de FHC recebeu doações de R$ 53,120 milhões, mas só declarou R$ 43 milhões à Justiça Eleitoral.


Os números constam de planilha do PSDB com 34 registros de doações para o partido - incluindo recursos da agência de publicidade SMP&B, do empresário Marcos Valério, apontado como principail operador do esquema de caixa dois envolvendo o PT no escândalo do mensalão. Valério também é acusado de operar esquema de arrecadação de recursos não contabilizados para Azeredo, na campanha para se reeleger governador de Minas Gerais, em 1998. Também em novembro de 2000, outra reportagem da Folha apontou que Fernando Henrique Cardoso também usou dinheiro não contabilizado em 1994, quando venceu Lula e se elegeu presidente da República pela primeira vez. Segundo o jornal, pelo menos R$ 8 milhões deixaram de ser declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A irregularidade foi confirmada, na ocaisão, pelo banqueiro José Eduardo Andrade Vieira.


FHC disse que nunca teve conhecimento de caixa dois em suas campanhas eleitorais - apesar de Andrade Vieira ter afirmado ao Ministério Público (MP) que "Fernando Henrique Cardoso acompanhava pessoalmente o volume de recursos financeiros arrecadados na campanha de 1994".
(Brasil Hoje)