Quinta-feira, Março 29, 2007

VARIG

O anúncio da compra da Nova Varig pela Gol foi o último ato para a destruição da maior empresa de aviação brasileira. O negócio foi fechado por US$ 275 milhões, mas pode chegar a US$ 320 milhões. Com a aquisição, a Gol não passa a líder de mercado, mas se credencia a brigar pela posição que hoje é da TAM. Como a venda da Ipiranga, a transação com a Varig já nasce sob o manto da desconfiança. A CVM oficiou a Gol pedindo explicações sobre o vazamento da negociação pela imprensa.

Sexta-feira, Março 23, 2007

Descaso mata índios em Jacareacanga


(Alailson Muniz/Agência Amazônia) -
Desde janeiro deste ano, 18 indígenas morreram em Jacareacanga, sudoeste do Pará, por suposto descaso dos órgãos que tratam da saúde indígena no município - a Fundação Esperança e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). A denúncia é do vice-prefeito do município, José Xicri, um índio. Jacareacanga foi fundado em 1993, tem área total de 53.531,5 km² e população de 31.661 habitantes, mais de 60% indígenas, segundo o último sendo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).







Xicri acusa a Funasa e a Fundação Nacional do Índio (Funaí) de omissão nas mortes dos indígenas, que em sua maioria são crianças. 'Falta medicamento, por isso nosso povo está morrendo', sentencia. A maioria dos índios do município é da etnia Munduruku, mas existem também Kaiab e Apiacá. A causa principal das mortes tem sido a meningite.



No próximo dia 27, está prevista uma reunião na cidade com o presidente da Funasa e representantes da Funai. 'As nossas principais reivindicações estão pautadas em reverter o alto índice de mortalidade indígena que assombra nosso povo', explica Xicri. 'Na pauta da reunião figuram discussões em torno da falta de medicamentos para os munduruku, microssistema de abastecimento de água, que não está funcionando, a remessa de medicamentos para as farmácias básicas dos pólos, que não veio até hoje, construção dos postos de saúde, da Casa de Saúde, transporte para atendimento dos doentes, treinamento antropológico para os técnicos de enfermagem, estrutura dos pólos, falta de comunicação entre Fundação Esperança, a Funasa, conselheiros e lideranças, compra de mosquiteiros e atraso do repasse do recurso de Brasília para Fundação Esperança em Santarém', listou o líder indígena.







Em uma reunião na semana passada com representantes locais da Funai, Funasa e Fundação Esperança foram debatidos os problemas das aldeias e feito o levantamento de possíveis soluções. Também foi apresentado um documento com várias reivindicações. 'Mas até hoje nenhuma foi cumprida e os índios continuam doentes', lamenta Xicri.





No Hospital Municipal de Jacareacanga, existem várias crianças indígenas hospitalizadas com desnutrição. A situação continua grave: as crianças que estão recebendo atendimento no hospital deveriam estar na Casai (Casa do Índio), em convalescença, onde não há sequer leite para alimentar os doentes.







Segundo os indígenas, no ano de 2005, um convênio que administrava a verba para tratamento da saúde dos índios passou da Prefeitura de Jacareacanga e para uma instituição particular, a Fundação Esperança. Os índios alegam que desde aquele ano os problemas começaram. 'Não tem estrutura nos postos de saúde. Então, o índio vai para a cidade, mas já chega lá quase morto', denuncia o cacique Antônio Cosme Munduruku.
Ele diz que seu povo está disposto a colocar na 'gaiola' os representantes da Funasa e da Funai caso não seja solucionado os problemas nas aldeias.

Sexta-feira, Março 16, 2007

Criança de oito anos mata outra de três em Novo Progresso

(Alailson Muniz/Ag. Amazônia) - A morte de uma criança chocou ontem a população do município de Novo Progresso, situado às margens da rodovia Santarém-Cuiabá, a BR-163, no oeste do Estado, a 1.639 km de Belém. Kauã Damásio Peres, de 3 anos de idade, foi assassinado por um menino de oito anos. Os dois eram amigos e brincavam todos os dias nas ruas do bairro do mesmo nome da cidade.
Ontem pela manhã, a Polícia Civil do município encontrou o corpo de Kauã em um terreno baldio. Ele foi degolado. Porcos que vivem no local devoravam parte da cabeça da vítima. A criança estava desaparecida desde as 8 horas da manhã de quarta-feira passada. A mãe do menor, Eliana Gregório Damásio, foi à escola onde o garoto estudava para buscá-lo. Lá, foi informada de que o menino já havia ido para casa. Muito preocupada, Eliana compareceu à unidade do Conselho Tutelar da cidade para comunicar o sumiço. Desde então, a Polícia iniciou as busca ao menino.

Segundo o investigador Araújo, o garoto acusado do crime disse, em seu depoimento, que havia seqüestrado Kauã ao sair da escola. Ele levou o amiguinho para um lugar, a esmo, com ajuda de outros dois irmãos dele. 'As investigações feitas pelo delegado José Casemiro Beltrão apontavam, no entanto, para a participação apenas do menino de oito anos. Depois, ele confessou que praticou o crime sozinho', disse Araújo.

A criança de três anos foi levada para um terreno baldio afastado de sua casa. No local, o acusado desferiu um golpe com uma pedaço de madeira em sua cabeça, causando-lhe a perda de consciência. Desmaiado, Kauã ainda foi violentado sexualmente. Depois, o assassino sacou de uma pequena faca que portava e degolou Kauã. Na delegacia, o acusado disse que não retirou totalmente cabeça de Kauã de seu corpo. Como no local existe uma criação de porcos, a Polícia suspeita de que os animais, atraídos pelo sangue, teriam comido parte da cabeça de kauã, afastando-a totalmente de seu corpo. O corpo também apresentava várias perfurações de faca. O criminoso usou uma faca de serra para assassinar a criança. Com vestígios de sangue pelo corpo e a arma do crime em mãos, o menino foi pego em flagrante pela Polícia e levado à presença do juiz Celso Marra Gomes.

Ao ser questionado pelo juiz sobre o motivo do crime, o menino disse que não gostava da vítima, mas não especificou o motivo. Sobre o crime, ele narrou: 'Eu dei uma paulada na cabeça dele. E, aí, ele ele caiu, nem chorou. Fui em casa, peguei a faca e cortei a cabeça dele'. As testemunhas que presenciaram a cena diante do juiz ficaram estarrecidas ao ver a frieza do garoto. A população local ficou em pânico e revoltada com o crime. Eles esboçaram uma revolta para atentar contra a vida do garoto assassino. Temendo que as ameças se concretizassem, delegado e o juiz se anteciparam e transferiram o menor ontem mesmo para Santarém. Ele viajou acompanhado de um membro do Conselho Tutelar. O garoto está em uma unidade da Fundação da Criança e do Adolescente do Pará (Funcap).
A família do menor está em estado de choque e ainda não conseguiu entender o que aconteceu com seu filho. A mãe teve de receber primeiros socorros.