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Paxá

Nunca soube e nem me preocupei em saber se o apelido do Juvenal Bandeira era assim com “x” ou com ou com “ch”, Mas deixemos a ortografia correta para os especialistas e vamos à história.
Paxá era um razoável jogador de futebol de pouco mais de um metro e meio de altura; jogava no América Futebol Clube, em cujo plantel havia mais gozadores do que mesmo craques de futebol. Sua posição era meia-direita, e o que ele mais gostava de fazer era gols. Porém, houve uma determinada época em que ele andava com um azar danado. Uma urucubaca de fazer inveja ao sujeito que jogava sempre na loteria e nunca ganhava nada. Num certo dia, ao conferir o seu bilhete, disse com raiva: “Raios, empatei todos os números do jogo!”. E botou fora o bilhete premiado. Bem, Paxá estava mais ou menos nesse parâmetro, pois há quase um ano não fazia gol nenhum, nem mesmo nos treinos do clube. A turma já estava dando em cima com as sua inúmeras gozações.

Um dia ele prometeu: “Se até o fim deste mês, não fizer gol, abandonarei o futebol!” O que a turma retrucava: “Ora, não te preocupes, pois há muito tempo o futebol já te abandonou”.
Numa tarde, o América foi treinar num campo de futebol em que não havia gramado nem muros; perto do antigo aeroporto. Paxá lá e como sempre se esforçando o máximo para cumprir a sua promessa. Em certo momento, ele pega a bola no meio do campo e parte rumo à meta adversária; dribla o primeiro, o segundo; aproxima-se o beque que é driblado também. Por fim, veio o goleiro, que era o último obstáculo, e toma o seu drible. Paxá empurra a bola para o gol vazio e já se preparava para vibrar. Foi quando, acidentalmente, um cão vadio passava na goleira, justamente naquela em que a bola ia entrando. A esférica, caprichosa, bate no vira-lata e saiu pela linha de fundo. Paxá cumpriu sua promessa e deixou o futebol.

Mas o que ele nunca deixou foi o seu bom humor. Trabalhava na Companhia Telefônica da cidade e quando encontrava um amigo ia logo lhe contando uma história.
Contou-me que certa vez andava um tanto atrasado, pois não conseguir pegar mulher. Nem na zona de meretrício. Todas pareciam compromissadas. Mas havia uma mulher em Santarém que não freqüentava a zona, uma mulher que tinha no mínimo uns 150 kg. Ela andava nas ruas à cata de fregueses, sempre de óculos escuros dia e noite. Por isso, era conhecida como Burra Cega. Quando ela passava na calçada de um lado de rua, de outro lado sempre havia um gaiato que logo gritava: Burra Cega! É claro que ela não gostava do apelido. Dizia-se chamar Maria de Lurdes.
Bem, por absoluta falta de opção e para tirar o seu atraso, Paxá disse que ia se arriscar com a Burra Cega. E numa noite, chegou-se a ela e foi logo dizendo: “Dona Maria de Lurdes, quanto a senhora quer para a gente fazer aquilo... Aquilo que todos gostam”. Maria de Lurdes lhe respondeu: “De dia é Burra Cega pra cá, Burra Cega lá. De noite é dona Maria de Lurdes”. E o Paxá: “Dona Maria de Lurdes, eu sou um dos que nunca lhe disse essa bobagem”. Acertado o preço, lá se foram.

Paxá tinha uma outra curiosidade: vê-la nua.Queria ter a satisfação de ver todo aquele volume de carne sem nada que a cobrisse. Não. Certamente não perderia essa chance.
Chegados a casa, a primeira coisa que ela fez foi apagar a luz e o Paxá logo reclamou. Ela retrucou-lhe: “Se quiser, é do meu jeito”.

Bem, sem outra solução, foram pra cama; e ele não se sabe se pela afobação ou pelo tamanho da sua parceira, não conseguia achar o caminho para a devida introdução. Tenta daqui, tenta dali e nada. Já suado sem conseguir nada até aquele momento, falou para sua parceira: “Puxa, Dona Maria de Lurdes, acho que a senhora está ficando virgem de novo”. E ela: “Deixa de sê besta, menino, coloca no lugar certo, porque até agora estás tentando enfiar no umbigo”.



*Estemir Vilhena da Silva É professor e escritor. Vai publicar em breve o livro “Roteiros de uma vida”.

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