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Balsa carregada de madeira está bloqueada

Duas balsas carregadas de madeira ilegal estão, desde o último sábado, retidas por moradores da Gleba Nova Olinda, no município de Santarém, oeste do Pará. A quantidade retida de madeira está estimada entre 500 e 600 toras, algo em torno de mil e quinhentos metros cúbicos. Após dez dias de iniciado o “empate” no rio Arapiuns, cerca de 400 moradores de 25 comunidades seguem mobilizados para impedir a descida de quaisquer balsas transportando madeira. O bloqueio iniciado no dia 12 de outubro quer chamar a atenção do governo do Pará para o caos fundiário e a intensa atividade de exploração de madeira na Gleba que, segundo os moradores, é ilegal. De acordo com relatos locais, a cada semana de cinco a dez balsas de madeira descem o rio.
Há dois anos, quando a competência pelo licenciamento de planos de manejo passou para os estados, a expectativa era de combater a ilegalidade. As deficiências dos órgãos de meio ambiente estaduais, no entanto, aumentaram a corrupção e diminuíram o controle sobre os planos de manejo. Ainda que a situação no estado do Pará seja bastante crítica, essa é a realidade de outros estados da Amazônia também. “Infelizmente, além de toda a problemática socioambiental ligada à exploração ilegal de madeira, esse despreparo dos órgãos ambientais compromete a meta de redução de desmatamento e põe em risco o potencial das florestas no combate ao aquecimento global. As florestas degradadas pela extração madeireira inadequada estão condenadas a uma morte lenta”, argumenta Raquel Carvalho, coordenadora de campanhas do Greenpeace.
N terça-feira, 20, representantes do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras de Santarém (STTR) e da ONG Terra de Direitos sobrevoaram a Gleba para documentar a situação das áreas degradadas que foram detectadas com auxílio de imagens de satélite. Pelo menos cinco pontos de exploração, totalizando cerca de três mil hectares, já foram degradados.
Apesar dos boatos de violência que circulam na cidade de Santarém, o clima na comunidade São Pedro, onde acontece o “empate”, é pacífico. Ao longo do dia, pessoas de todas as idades fazem atividades educativas, repassam informações e discutem os próximos passos da mobilização. Por meio de uma rádio improvisada, a “Rádio comunitária São Pedro”, os moradores organizam também as tarefas diárias que incluem abastecimento e preparação da comida, limpeza da praia, serestas e outras atividades culturais. “Não temos ninguém mandando a gente agir, temos gente mais experiente que orienta e discute, mas somos um coletivo, todas as pessoas têm espaço” disse Dinael Cardoso, 38 anos, da Comunidade Braço Grande.
No dia 14 de outubro, em reunião com entidades do movimento social, representantes de órgãos de governo do Pará, incluindo Sema, Ideflor e Iterpa, assumiram o compromisso de fiscalizar as áreas alvo de exploração e a expectativa é que isso aconteça ainda esta semana. “Até que a situação fundiária na Gleba seja definida, queremos assegurar que essas florestas não serão destruídas. Enquanto o governo não fiscalizar as áreas e apresentar um relatório, o rio Arapiuns permanecerá bloqueado e a madeira não será liberada” disse Manoel Edvaldo, vice-presidente do STTR.

Texto e foto: Greenpeace

Comentários

Anônimo disse…
Enquanto os estrangeiros mandarem na Amazonia, os brasileiros não podem trabalhar.
Até onde se sabe, a madeira está toda licenciada e exploração foi legal, dentros dos padro~es exigidos.
Agora para o greenpece nada serve,está a serviço de quem ?

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