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Resgate arqueológico realizado em Juruti é referência nacional

Dois sítios localizados na área onde hoje está instalado o terminal portuário da Alcoa no município de Juruti, à beira do Rio Amazonas, no Oeste do Estado, passaram por resgate arqueológico, revelando informações até então desconhecidas a respeito das populações que viviam no local. As pesquisas foram realizadas logo que a empresa obteve a Licença Prévia para o empreendimento, antes mesmo da sua construção. Hoje, com três anos de operações, o Porto que embarca minério de bauxita periodicamente, tem sua história devidamente guardada e admirada pelo mundo científico.


O trabalho de resgate arqueológico realizado no Oeste paraense, no período que antecedeu a instalação da Mina de Bauxita de Juruti, foi destaque no 2º Colóquio Ibero-Americano Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto, promovido em Belo Horizonte (MG) pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Na ocasião, o projeto da Alcoa, empresa líder na produção de alumínio primário, foi apresentado como referência em licenciamento ambiental.

“A pesquisa de resgate arqueológico antes da instalação de um grande projeto é algo previsto em lei”, explica a arqueóloga Lílian Panachuk, coordenadora de projetos na Scientia Consultoria Científica, empresa responsável pelo trabalho. “Por isso, começamos a trabalhar logo que foi emitida a licença prévia para a implantação da Mina de Bauxita de Juruti. Nesta etapa, nossa missão foi diagnosticar a área onde se localiza a unidade da Alcoa para entender o potencial arqueológico e identificar os sítios”, diz ela.

No Colóquio, que discutiu territorialidade, também foram apresentados dados a respeito do processo de licenciamento do empreendimento, que envolveu diversos atores sociais locais, estabelecendo uma forma pioneira de diálogo e co-responsabilidade com as comunidades e mudando a configuração tradicional desse processo. “Juruti tem sido um exemplo para falar de licenciamento ambiental, de política ambiental, realizada com a participação de diversos interlocutores, de partes distintas da comunidade”, relata Lílian.

Resgate – A pesquisa para resgate dos sítios arqueológicos na área do Porto da Alcoa em Juruti se baseou em incursões a campo e na leitura de bibliografia sobre o local. Logo começou o trabalho de resgate dos materiais ali encontrados, como cerâmicas e artefatos de pedra e madeira, que, por serem mais duráveis, resistem à ação do tempo e revelam um pouco sobre a população que viveu às margens do Rio Tapajós, na comunidade hoje conhecida como Terra Preta.

“Retiramos amostras dessa cultura material e enviamos para análise. A partir daí, nossa informação mais antiga diz que há indício de ocupação da área datando de seis mil anos antes de Cristo”, revela Lílian. “Os materiais estavam a cerca de dois metros de profundidade, o que é compatível com o período. Além disso, o solo onde foram encontrados, de terra mais escura e cuja composição química é diferente do solo amazônico, vem sendo estudado no mundo inteiro, pois suas características são atribuídas à ocupação humana.”

Também foram encontrados materiais que indicam nova onda de ocupação por volta do ano 1.200 da Era Cristã. Mais tarde, o passado colonial de Juruti foi expresso em algumas peças do século XVIII, indicando ocupação colonial em Juruti desde 1748, e não apenas em 1818, quando ocorreram as primeiras missões que visavam fiscalizar o Rio Amazonas. “Quando isto aconteceu, já havia uma vila, chamada de Vila Maracaçu, estabelecida no local”, conta Lílian.

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